Projeto Elétrico

Como Fazer um Projeto Elétrico Residencial Online (Passo a Passo + NBR 5410)

03/11/2026 · 12 min de leitura
Planta residencial com pontos elétricos ligados por eletrodutos na ferramenta do Amigo Eletricista

Um projeto elétrico residencial envolve muito mais do que espalhar tomadas pela planta: cada cômodo tem uma quantidade mínima de pontos, cada ponto tem uma potência mínima, os circuitos precisam ser separados por função e os condutores dimensionados para a corrente de projeto. Tudo isso está na ABNT NBR 5410. Neste guia mostramos, tela por tela, como fazer esse projeto na ferramenta de projetos elétricos do Amigo Eletricista — e, em cada etapa, qual exigência da norma está sendo atendida.

O que a NBR 5410 exige de um projeto residencial

Antes de abrir a ferramenta, vale conhecer as regras que ela aplica. A seção 9.5 da NBR 5410 traz prescrições específicas para locais de habitação. Os principais pontos são:

1. Iluminação

Fonte: ABNT NBR 5410:2004, itens 9.5.2.1.1 e 9.5.2.1.2.

2. Quantidade de tomadas (TUG)

CômodoMínimo de pontos de tomada
Banheiro1 ponto, próximo ao lavatório
Cozinha, copa, área de serviço, lavanderia1 ponto a cada 3,5 m (ou fração) de perímetro; 2 tomadas acima da bancada da pia
Varanda1 ponto
Sala e dormitório1 ponto a cada 5 m (ou fração) de perímetro, espaçados uniformemente
Demais cômodos até 6 m²1 ponto
Demais cômodos acima de 6 m²1 ponto a cada 5 m (ou fração) de perímetro

Fonte: ABNT NBR 5410:2004, item 9.5.2.2.1.

3. Potência mínima das tomadas

Fonte: ABNT NBR 5410:2004, item 9.5.2.2.2.

4. Divisão dos circuitos

5. Proteção e condutores

Fonte: ABNT NBR 5410:2004, itens 4.2.5.5, 4.2.5.6, 5.1.3.2.2, 6.2.6.1.1, 6.2.7.1, 6.2.11.1.6, 6.5.4.7 e 9.5.3.

Fazer tudo isso à mão, cômodo por cômodo, é onde a maior parte do tempo de um projeto vai embora. A ferramenta automatiza essas contas — e você continua no controle para ajustar o que quiser.

Passo 1 — Criar o projeto e enviar a planta em DXF

Na sua área de usuário, abra Projetos elétricos → Novo projeto. Preencha o nome do projeto, o nome do(a) cliente, o tipo de projeto e a quantidade de pavimentos, e envie o arquivo DXF da planta baixa (o formato que AutoCAD, LibreCAD e a maioria dos programas de arquitetura exportam). Depois é só clicar em Abrir na lista de Meus projetos.

Antes de começar, vale passar em Configurações: lá ficam os valores padrão usados em todos os projetos, como altura dos cômodos, tensão da rede, diâmetro mínimo e máximo de eletroduto, altura da caixa de disjuntores, potência e altura padrão das tomadas.

Quer ver funcionando sem criar conta? Na página inicial existe o Teste Agora: basta soltar um arquivo .dxf.

Conhecendo a tela de desenho

A tela de desenho tem três barras: os comandos principais e os símbolos no topo, a navegação à direita e as opções de seleção e edição embaixo.

Barra superior — os 5 comandos principais

Barra superior com os botões Autoseleção, Distribuir, Ligação, Cargas e Exportar e os ícones de símbolos elétricos
Na primeira linha, os comandos que automatizam o projeto. Na segunda, os símbolos elétricos — a setinha ao lado de alguns abre as variações (aqui, as alturas da TUG).

A primeira linha segue a ordem natural do projeto:

  1. Autoseleção — lê a planta e identifica os cômodos automaticamente.
  2. Distribuir — posiciona tomadas e pontos de luz em cada cômodo seguindo a NBR 5410.
  3. Ligação — liga os pontos elétricos às caixas com eletrodutos.
  4. Cargas — abre o quadro de cargas com circuitos, cômodos, pontos e objetos.
  5. Exportar — gera o PDF com desenho, lista de materiais e relatórios.

Os símbolos elétricos

ÍconeBotãoPara que serve
SeleçãoDesenha um cômodo clicando canto a canto (mínimo de 3 pontos). Enter finaliza e calcula área e perímetro; Esc cancela. Útil quando a Autoseleção não pega um cômodo de formato irregular.
EletrodutoLiga dois símbolos elétricos. Variações: aparente ou enterrado.
Caixa octogonalInsere uma caixa de passagem no ponto clicado.
IluminaçãoPonto de luz de teto ou de parede.
InterruptorSimples, duplo ou triplo — sempre sobre uma parede.
TUGTomada de uso geral, em altura baixa, média ou alta.
TUETomada de uso específico: você escolhe o equipamento (chuveiro, ar-condicionado…) e a potência vem do cadastro.
CDCaixa de disjuntores (quadro de distribuição), embutida ou de sobrepor.
CircuitosLinha de chamada para anotar uma observação ou a identificação dos circuitos no desenho.
MoverReposiciona um objeto já colocado.

Para cancelar qualquer comando, aperte Esc.

Barra lateral e barra inferior

Barra lateral com os botões mover tela, zoom mais e zoom menos
À direita: mover a tela, zoom + e zoom −.
Barra inferior com os botões Medir, Canto, Linha, Marcar, Cotas, Novo Cômodo, Editar Cômodo, Porta e Janela
Embaixo: ferramentas de precisão e de edição dos cômodos.

Passo 2 — Identificar os cômodos

Clique em Autoseleção para a ferramenta reconhecer os cômodos da planta. Se algum ficar de fora — por exemplo, um cômodo em L ou um DXF com linhas soltas —, use o botão Seleção ou o Novo Cômodo para desenhá-lo.

Cada cômodo abre o Cadastro Cômodo. É aqui que entra a NBR 5410: o tipo de cômodo, a área e o perímetro definem quantas tomadas e quanta carga de iluminação o cômodo precisa. Por isso, escolha o tipo correto (dormitório, banheiro, cozinha, área de serviço, varanda, lavabo…).

Janela Cadastro Cômodo com os campos nome, tipo de cômodo, altura, área e perímetro
Cadastro Cômodo: nome, tipo, altura, área e perímetro, além dos botões para adicionar porta e janela.

Passo 3 — Posicionar a caixa de disjuntores

Use o botão CD para colocar o quadro de distribuição na parede. No cadastro dele você informa o método de instalação, a distância até a medição (usada no dimensionamento do circuito de alimentação) e o modelo do quadro. Coloque o CD antes de usar a Ligação: é a partir dele que os eletrodutos são traçados.

Passo 4 — Distribuir tomadas e iluminação

Clique em Distribuir. A ferramenta percorre cada cômodo e aplica as regras que vimos no início: um ponto de luz no teto com a carga mínima pela área, a quantidade de tomadas pelo perímetro (a cada 5 m em salas e dormitórios, a cada 3,5 m em cozinhas e áreas de serviço) e as potências de 600 VA ou 100 VA conforme o ambiente. As tomadas são espaçadas ao longo das paredes, desviando de portas e janelas.

Planta com tomadas, pontos de luz e interruptores distribuídos automaticamente
Pontos de luz (azul), interruptores (verde) e tomadas com a potência anotada (vermelho) depois da distribuição.

A distribuição atende ao mínimo da norma — e a própria NBR 5410 lembra que o número de tomadas deve considerar os equipamentos que serão usados no local. Clique em qualquer tomada para abrir o Cadastro TUG e mudar potência, tipo (simples, dupla…), circuito ou observação. Para chuveiro, ar-condicionado e outros equipamentos acima de 10 A, acrescente uma TUE: ela gera o circuito independente que a norma pede.

Janela Cadastro TUG com potência, tipo de tomada, circuito e observação
Cadastro TUG: ajuste fino de cada tomada.

Passo 5 — Ligar os pontos com eletrodutos

Com o CD posicionado, clique em Ligação. Os pontos elétricos são conectados às caixas octogonais e ao quadro, e o diâmetro de cada eletroduto é escolhido pela área ocupada pelos cabos, respeitando a taxa de ocupação da norma e os diâmetros mínimo e máximo das suas Configurações. Se preferir traçar algum trecho à mão, use o botão Eletroduto.

Clicando num eletroduto, o Cadastro Eletroduto mostra diâmetro comercial, comprimento, quantidade de cabos, área ocupada, método de instalação e quais circuitos passam por ele (fase, neutro e retorno).

Janela Cadastro Eletroduto com diâmetro, comprimento, quantidade de cabos, área ocupada e circuitos associados
Cadastro Eletroduto: tudo o que passa por aquele trecho.

Passo 6 — Conferir o quadro de cargas e os circuitos

O botão Cargas abre o Quadro de cargas: a tabela de circuitos (tipo, potência, corrente, tensão, fator de potência, comprimento, dispositivo de proteção, seção do condutor…) e, logo abaixo, as tabelas de cômodos, pontos elétricos e objetos elétricos. É a visão geral para conferir se tudo bate antes de exportar.

Quadro de cargas com as tabelas de circuitos, cômodos, pontos elétricos e objetos elétricos
Quadro de cargas: circuitos, cômodos, pontos e objetos em um só lugar.

Cada circuito tem a janela de Dimensionamento dos circuitos, onde ficam os dados que definem o cabo e a proteção: corrente, fator de potência, comprimento, dispositivo de proteção, material do condutor e da isolação, tipo de rede, temperatura ambiente, circuitos agrupados e forma de agrupamento. A seção do condutor considera capacidade de condução de corrente, fatores de correção de temperatura e agrupamento, seção mínima e queda de tensão.

Janela Dimensionamento dos circuitos com corrente, fator de potência, comprimento, dispositivo de proteção, condutor, isolação, rede e temperatura
Dimensionamento de um circuito.

Quer testar com a sua planta? Envie um DXF no Teste Agora, sem cadastro, ou conheça os planos de projeto elétrico residencial.

Testar com meu DXF

Passo 7 — Exportar o projeto

Por fim, clique em Exportar. Na janela Preparar para impressão você escolhe o que entra no PDF — o desenho, a lista de materiais e os relatórios —, o formato da folha (A2, A3 ou A4), a escala do desenho, as margens e a espessura das linhas.

Janela Preparar para impressão com opções de desenho, lista de materiais, relatórios, formato da folha, escala e margens
Preparar para impressão: o que sai no PDF e como sai.

Checklist rápido da NBR 5410 para conferir no seu projeto

Conclusão

A NBR 5410 não deixa muita margem para improviso em um projeto residencial: quantidade de pontos, potências mínimas, divisão de circuitos, proteção e seção dos condutores, tudo tem regra. A ferramenta de projetos elétricos do Amigo Eletricista aplica essas regras a partir da sua planta em DXF e deixa a parte repetitiva por conta do sistema, enquanto você revisa e ajusta o que precisa. O resultado é um projeto elétrico completo, com desenho, quadro de cargas, lista de materiais e relatórios, pronto para exportar.

Se quiser entender quanto esse tipo de projeto costuma custar, leia também Quanto custa um projeto elétrico residencial.

Referências

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5410: Instalações elétricas de baixa tensão. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.

Como citar este artigo (ABNT)

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